O silêncio é o meu melhor amigo.
É ele quem trago sempre comigo.
É com ele que vivo.
É a resposta a qualquer pergunta
mesmo que não exista.
Os meus lábios são presas fáceis
mas não se movem.
Dou a mão ao silêncio
porque engulo remorsos,
atiçam cada vez mais este fogo
sanguessuga,
parasita.
Nem banhos de chuva fria
acalmam este furor
desperto, inquieto, perturbado...
que se esconde por entre
nevoeiros cinzas penosos,
olhares desgostosos,
que esboçam falsos sorrisos.
Ressacas de água ardente
que apodrecem o melhor de mim;
uma maresia leve
que se agita solenemente.
Todo o diabo já foi anjo
e toda a guerra já foi paz.
O que mais queremos que não seja,
não deixa de ser fugaz
e o silêncio torna-me mais capaz.
Mas só me engano a mim
quando continuo dizendo sim;
é tão difícil delimitar a distância.
Queria provar, pelo menos um pouco,
que valeu a pena
dar-me de mim;
provar que te podia fazer feliz assim.
Sentir a tua saudade,
a tua decadência
e a tua demência
ao me perderes;
sentires um tanto do que sinto,
servido em prato frio
de silenciosa vingança.
Poeta sofre,
mesmo quando um possa
até nem realmente ser,
mas toda a gente sofre
quando por amor tenta viver.
domingo, 9 de novembro de 2014
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
apoplexia
se dissesse que te amo
como reagias?
deixavas-me?
não me dizias mais nada?
afastavas-te?
então pouca diferença faz
porque já o fazes.
mas mesmo assim tenho medo.
se pensares que não há qualquer laço
ou sentimento,
qualquer apego
ou saudade,
vais continuar a querer-me e a olhar-me.
só demonstra o quão fraca sou.
querer ver-te sorrir
pelo prazer que te trago.
gostava de trazer-te mais ainda,
não apenas momentâneo, constante.
eu sei lá se é amor.
o amor é uma doença
indecifrável e indetectável pelos médicos.
há sintomas
mas nem eu própria sou capaz de interpretar.
custa-me admitir que me apeguei a ti,
que gostava de te ver realmente feliz
e de ser esse teu motivo novo de felicidade.
se não o for, não faz mal.
já estou anestesiada.
digo tão mal do amor
e falo tanto nele
que talvez seja por isso
que o meu coração se desgasta.
como reagias?
deixavas-me?
não me dizias mais nada?
afastavas-te?
então pouca diferença faz
porque já o fazes.
mas mesmo assim tenho medo.
se pensares que não há qualquer laço
ou sentimento,
qualquer apego
ou saudade,
vais continuar a querer-me e a olhar-me.
só demonstra o quão fraca sou.
querer ver-te sorrir
pelo prazer que te trago.
gostava de trazer-te mais ainda,
não apenas momentâneo, constante.
eu sei lá se é amor.
o amor é uma doença
indecifrável e indetectável pelos médicos.
há sintomas
mas nem eu própria sou capaz de interpretar.
custa-me admitir que me apeguei a ti,
que gostava de te ver realmente feliz
e de ser esse teu motivo novo de felicidade.
se não o for, não faz mal.
já estou anestesiada.
digo tão mal do amor
e falo tanto nele
que talvez seja por isso
que o meu coração se desgasta.
domingo, 2 de novembro de 2014
dois do onze
Dia dois de Novembro de 2014. O cÉU vestido de cinza denuncia as suas deteriorações emocionais; revela ao dia a sua frieza e indisposição e chora por entre intervalos de tempo. Apela à ajuda da chuva que bate às janelas por meio de gotas discretas ou enfurecidas. Afasta as nuvens que abrem frinchas de luz, iluminando e chamando a atenção no caminho das pessoas. O céu está doente. Vítima de oscilações de temperatura, demonstra a sua vulnerabilidade em ficar enfermo, com sintomas de febre alta que baixa a pique, resfriado, contínua pirexia. O céu já se vestiu de gala para a noite e para o dia, mas não se sentiu confortado... Adornou-se em tons de azul escuro e diamantes luminosos; dourados quentes e sedutores; brancos suaves e cautelosos; vermelhos vivos e animadores. Já partilhou com todos, alegrias contagiantes e tristezas devastadoras; já demonstrou a sua simpatia e a sua fúria duradouras.
Hoje o céu voltou a ficar triste, de cores neutras e melancólicas. Por meio de uma avidez incontrolável, vive a saudade de algo intocável. Querer algo que sabe que não irá ter; querer viver sem realmente saber como o fazer. O céu é bom, mas nem sempre alguém o nota... com corpo mas sem alma, preso a uma fantasia remota.
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
Ficarei no meu lugar
Nunca depositaste nada de novo em mim,
nenhuma esperança,
nenhuma promessa,
nenhum compromisso...
mas mostraste-me o teu sorriso
e fizeste-me sorrir.
Despejaste o teu olhar em mim
tão intensamente,
tão vigorosamente,
tão resolutamente,
que foi impossível desviar a atenção
dos meus olhos
e do meu coração.
Tentei ser imune
à tua desintencionada flecha,
ao teu desdém viciante e carinhoso,
aos teus lábios quentes e molhados...
mas não consegui.
O meteorito formou uma cratera
mais profunda do que a noite,
do que o horizonte,
do que a minha intranquila alma.
E quem sou eu
para te querer mais do que desejo?
Quem sou eu
para querer sentir o néctar do teu beijo?
Quem sou?
mero despejo
Não vou chorar,
não vou bramir,
não vou bracejar.
Ficarei no meu lugar.
nenhuma esperança,
nenhuma promessa,
nenhum compromisso...
mas mostraste-me o teu sorriso
e fizeste-me sorrir.
Despejaste o teu olhar em mim
tão intensamente,
tão vigorosamente,
tão resolutamente,
que foi impossível desviar a atenção
dos meus olhos
e do meu coração.
Tentei ser imune
à tua desintencionada flecha,
ao teu desdém viciante e carinhoso,
aos teus lábios quentes e molhados...
mas não consegui.
O meteorito formou uma cratera
mais profunda do que a noite,
do que o horizonte,
do que a minha intranquila alma.
E quem sou eu
para te querer mais do que desejo?
Quem sou eu
para querer sentir o néctar do teu beijo?
Quem sou?
mero despejo
Não vou chorar,
não vou bramir,
não vou bracejar.
Ficarei no meu lugar.
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
Na tempestade
Oh, procurei-te por entre a bruma,
o céu desmontava-se em lágrimas
que me congelavam o cérebro,
tornando todos os meus pensamentos em memórias,
curtas histórias,
que em vez de esquecer
acabavam permanecendo.
Procurei-te nos lugares mais alegres,
mais quentes,
mais cheios de gentes,
mais coloridos e sorridentes...
Até que o caminho se escureceu
e conduziu-me a um vale negro e demente.
Procurei-te tão incessantemente
fora da minha mente,
para ter a certeza que ela não me mente.
A chuva cai forte como aplausos de biliões de pessoas
e ouço os relâmpagos que estremecem as ruas.
Procurei-te entre os vivos
e agora pelos mortos,
mas o teu nome não se encontra em nenhuma sepultura.
Devia ser esta a altura
em que te colocava de vez lá dentro,
mas o tempo simplesmente
imortalizou-me o pensamento.
E foi aí que sempre te escondeste.
Procurei-te porque me senti sozinha,
egoistamente, só por companhia.
Se me perguntares se te quero
dir-te-ei imediatamente que sim,
mas amar-te não quero
por medo de tal.
O amor destrói tudo em que toca.
Procurei -te como sempre procuro
por me fazer passar o tempo,
mas a minha alma hoje está enxuta
e na minha voz está todo o alento,
estou farta de viver escondida neste silêncio.
Procurei-te e gritei quando vi o teu nome,
mas o rosto que sonhei,
o retrato o esconde.
Se calhar nunca amei,
isso talvez seja verdade,
pois nunca demonstrei
o que sentia na realidade.
A minha procura acabou,
talvez não existas.
Se algum dia apareceres,
espero que seja em mim que invistas.
o céu desmontava-se em lágrimas
que me congelavam o cérebro,
tornando todos os meus pensamentos em memórias,
curtas histórias,
que em vez de esquecer
acabavam permanecendo.
Procurei-te nos lugares mais alegres,
mais quentes,
mais cheios de gentes,
mais coloridos e sorridentes...
Até que o caminho se escureceu
e conduziu-me a um vale negro e demente.
Procurei-te tão incessantemente
fora da minha mente,
para ter a certeza que ela não me mente.
A chuva cai forte como aplausos de biliões de pessoas
e ouço os relâmpagos que estremecem as ruas.
Procurei-te entre os vivos
e agora pelos mortos,
mas o teu nome não se encontra em nenhuma sepultura.
Devia ser esta a altura
![]() |
| Cemitério de Agramonte - Porto |
mas o tempo simplesmente
imortalizou-me o pensamento.
E foi aí que sempre te escondeste.
Procurei-te porque me senti sozinha,
egoistamente, só por companhia.
Se me perguntares se te quero
dir-te-ei imediatamente que sim,
mas amar-te não quero
por medo de tal.
O amor destrói tudo em que toca.
Procurei -te como sempre procuro
por me fazer passar o tempo,
mas a minha alma hoje está enxuta
e na minha voz está todo o alento,
estou farta de viver escondida neste silêncio.
Procurei-te e gritei quando vi o teu nome,
mas o rosto que sonhei,
o retrato o esconde.
Se calhar nunca amei,
isso talvez seja verdade,
pois nunca demonstrei
o que sentia na realidade.
A minha procura acabou,
talvez não existas.
Se algum dia apareceres,
espero que seja em mim que invistas.
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Ninguém vai gostar de ti de verdade... simplesmente porque não (Papel)
Ninguém vai gostar de ti de verdade...
simplesmente porque não.
Gostam porque convém,
porque dá jeito;
por prazeres momentâneos,
por felicidades abstractas e temporárias,
por alheios retratos contemporâneos.
É mais fácil,
dá menos trabalho.
Feliz talvez seria se fosse rocha.
Sem sentimentos,
pensamentos,
lamentos.
Rocha fria que é inquebrável,
porém, sou papel,
que se rasga,
amolece,
enruga.
Um papel incolor, inútil,
rabiscado e todo (a)machucado.
Ninguém vai gostar de ti de verdade...
simplesmente porque não.
Mas fazem de conta.
Sorrisos, palavras, carinhos...
fingidos.
Acabas por dar uma oportunidade
porque "desta vez pode ser diferente",
mas esqueces-te que o papel és tu
e tu és o mesmo.
E eu sou papel.
Frágil e leve
que acaba sempre nas mãos erradas.
Já me deixei levar pelo vento,
como papel voador,
mas o vento é voraz
e eu não tenho sorte.
Um papel pensador, incapaz, triste.
Já viste algum papel que chora?
Ninguém vai gostar de ti de verdade...
simplesmente porque não.
Papel não ama,
papel não tem coração.
Papel arde com a chama,
papel dissolve em inundação.
E as lágrimas são uma tempestade de emoção.
simplesmente porque não.
Gostam porque convém,
porque dá jeito;
por prazeres momentâneos,
por felicidades abstractas e temporárias,
por alheios retratos contemporâneos.
É mais fácil,
dá menos trabalho.
Feliz talvez seria se fosse rocha.
Sem sentimentos,
pensamentos,
lamentos.
Rocha fria que é inquebrável,
porém, sou papel,
que se rasga,
amolece,
enruga.
Um papel incolor, inútil,
rabiscado e todo (a)machucado.
Ninguém vai gostar de ti de verdade...
simplesmente porque não.
Mas fazem de conta.
Sorrisos, palavras, carinhos...
fingidos.
Acabas por dar uma oportunidade
porque "desta vez pode ser diferente",
mas esqueces-te que o papel és tu
e tu és o mesmo.
E eu sou papel.
Frágil e leve
que acaba sempre nas mãos erradas.
Já me deixei levar pelo vento,
como papel voador,
mas o vento é voraz
e eu não tenho sorte.
Um papel pensador, incapaz, triste.
Já viste algum papel que chora?
Ninguém vai gostar de ti de verdade...
simplesmente porque não.
Papel não ama,
papel não tem coração.
Papel arde com a chama,
papel dissolve em inundação.
E as lágrimas são uma tempestade de emoção.
![]() |
| Porto |
domingo, 5 de outubro de 2014
unknown feeling
I would be glad to kiss you
if I could,
but instead I miss you
without cure.
You're a step aside of me
and I kept on my mind
the person I'd be with
would never be you...
because I know it's true...
I try to focuse in every other thing,
but, in my thoughts, you return to me...
sadder is my soul,
heavier is my mind,
and I still keep on control
but minutes are slow...
Why can't I have you other way?
Why can't you stay?
It's all the same game that I play
and love makes me lose you away...
Like a feather with no name.
Like an unknow feeling
that I feel everyday.
Why can't I have you other way?
And why can't you just stay?
With me...
truly...
if I could,
but instead I miss you
without cure.
You're a step aside of me
and I kept on my mind
the person I'd be with
would never be you...
because I know it's true...
I try to focuse in every other thing,
but, in my thoughts, you return to me...
sadder is my soul,
heavier is my mind,
and I still keep on control
but minutes are slow...
Why can't I have you other way?
Why can't you stay?
It's all the same game that I play
and love makes me lose you away...
Like a feather with no name.
Like an unknow feeling
that I feel everyday.
Why can't I have you other way?
And why can't you just stay?
With me...
truly...
Subscrever:
Mensagens (Atom)


